Milenarismo

Ideal Universal 


A República, de Platão, Utopia, de Thomas Morus, Shangrilá…- tudo que se denomina de milenarismo nada mais é do que o ideal de se formar na Terra uma sociedade perfeita, onde todos tenham o necessário e sejam felizes.  

Esse ideal, a quem ninguém escapa, é tão antigo quanto o homem. Está no interior de cada um de nós, como um fogo que jamais se apaga, mesmo que muitos não queiram percebê-lo.  

Inúmeros povos o têm buscado e, consciente ou inconscientemente, participado de sua preparação tijolo por tijolo, ao longo dos milênios.  

Porém, esse mundo feliz só não foi ainda alcançado por causa dos chamados sentimentos negativos, como a inveja, arrogância, ira, ódio e ciúmes, que tudo destroem e impedem o nosso desenvolvimento. 

O ideal desse “reino de felicidade”, dos povos judaico-cristãos e também dos islamitas, budistas e outros, está muito bem documentado ao longo da Bíblia: nos profetas (como Isaías , Jeremias e Daniel), nos Salmos, nos Evangelhos, nas Epístolas e, principalmente, no Apocalipse de São João.  

Cristo referiu-se a esse reino de felicidade, liberdade e abundância de justiça repetidas vezes; antes da sua partida, reiterou a promessa de seu Pai e garantiu a execução do milênio de felicidade. Por este motivo, o milenarismo teve e continua tendo muitas expressões no decorrer da história cujo tema também tratarei ao longo deste livro.  

Pode-se dizer que Platão ao formular a República estava em busca desse mundo ideal; o mesmo se pode afirmar de Aurélio Agostinho natural da África (atual Argélia): inspirado em Platão (neoplatonismo de Plotino) concebeu a Cidade de Deus como o mundo ideal, em oposição à Cidade dos Homens.  

O povo judeu, com sua imorredoura esperança messiânica destaca-se como o grande impulsionador, mantenedor e reavivador desse sonho de se formar na Terra o Reino de Deus, a sociedade perfeita, a Jerusalém Celeste.  

Assim pensava Einstein, ao afirmar que o que tem unido os judeus por milhares de anos e continua unindo até hoje é sobretudo o ideal de justiça social: “Personalidades como Moisés, Spinoza e Marx, mesmo com todas as suas diferenças de vida, se sacrificaram pelo ideal de justiça social, sendo que a tradição de seus antepassados os conduziu por esse espinhoso caminho” .  

Aliás, foi Daniel (profeta judaico de linhagem nobre) quem interpretou o sonho do rei Nabucodonosor, profetizando a formação do Quinto Império Universal que viria no final dos tempos, após a sucessão dos quatro impérios humanos. (5) Não é necessário dizer que Maria, mãe de Jesus, e Cristo mesmo, assim como os apóstolos que o seguiram, eram todos judeus (da tribo de Judá).  

Neste ponto cabe lembrar a atuação dos fenícios (semitas de Canaã e grandes navegadores) que trouxeram os hebreus à costa do Brasil na Antiguidade – e também fundaram entrepostos comerciais e colônias desde a Ásia Menor até o Oeste do Mediterrâneo. Eles atuaram como se fossem os “portugueses” de seu tempo.  

Enquanto estes levaram o cristianismo e o anúncio do Império do Espírito Santo pelos mares, os fenícios transportaram os hebreus em suas embarcações, conduzindo o monoteísmo hebraico e a mensagem de Deus-Pai (1ª Pessoa da Trindade) a povos conhecidos e desconhecidos da época.  

Neste livro eu abordo o acordo de navegação marítima feito entre o rei-sábio Salomão dos judeus e o rei dos fenícios Hirão II de Tiro (Cf. 1 Reis, 9:26, 27, 28), que originou, há cerca de 3 mil anos, as viagens fenício-judaicas à costa do Brasil. Segundo alguns autores, tribos indígenas brasileiras tiveram estreito contato (e até miscigenação) com os fenícios e hebreus, sendo influenciados no tipo de religiosidade. 

 

Cláudia B. S. Pacheco 

 

(Texto do livro HISTÓRIA SECRETA DO BRASIL – Vº IMPÉRIO : O MILÊNIO UNIVERSAL de Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco)